Vou dar um DJ set no Praga e quero a opinião dos amigos..

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Ainda não tem data, mas provavelmente vou fazer um DJ Set no Clube Praga (em homenagem ao Errático) em breve e queria a opinião de vocês para o som da ocasião. Vote num dos temas!

EDIÇÃO do dia 6: Venceu por 8 votos o tema abaixo!
: Big Star, Teenage Fanclub, The Posies, Buzzcocks, The Move, Wings, Buffalo Tom, Matthew Sweet

Obrigado aos votantes e aguardo vocês dia 12 de dezembro no Clube Praga.

Porque o Brasil não vai para a frente – A taxa-gorjeta

Um deputado do PT/MG, um tal de Gilmar Machado, está com uma nova Lei que tramita no Congresso, prevendo a regulamentação da destinação da gorjeta e “prevê que os donos de restaurantes só fiquem com um quinto dela, percentual que deverá ser usado em despesas com encargos sociais e previdenciários”, conforme nota de Barbara Gancia.

Qual foi o spin que a imprensa não pegou? Que o deputado tenta jogar que as gorjetas FICAM com os empresários, o que é mentira. E que só ficariam com um quinto QUE DEVERÁ SER USADO PARA PAGAR OS IMPOSTOS SOBRE A GORJETA. Ou seja, o deputado inventou o imposto sobre gorjeta e diz que isso na verdade é um quinto do empresário!!! Não é genial?

Mais uma excrescência nacional a caminho. Os 10% hoje não fazem parte da conta porque não é obrigatória. Você dá se quiser. Isso tudo vai para o caixinha, que é dividido entre TODOS no restaurante (não só o garçom, então se você der somente ao garçon, está sacaneando o barista, o cozinheiro etc.). Além disso, o caixinha premia quem trabalha mais e melhor: há pontuações para quem for melhor/mais sênior.

O que o governo-mãe quer fazer? Tudo errado:

1) Transforma algo “OPCIONAL” e meritório em algo obrigatório! EM PAÍS ALGUM A GORJETA É OBRIGATÓRIA!!!!


2) Transforma o prêmio em algo a ser TAXADO, e portanto tirando renda dos funcionários, sem nada em troca.


3) Vai aumentar a cunha fiscal em cima dos legais, e ajudar ainda mais aos milhares de ilegais, pois NADA nessa lei coloca rédea nos informais. Ou seja, eles continuarão do MESMO jeitinho.


4) Vai enrijecer ainda mais a vida dos microempresários, que serão obrigados a dar O MESMO PRÊMIO a funcionários ruins e bons. Meritocracia para quê?

Aos infelizes que não sabem o que é tentar trabalhar dentro da Lei no país, ao invés de citarem EXCEÇÕES (maus empresários que roubam caixinhas) deveriam lembrar dos BONS empresários, que pagam impostos e dão 100% das gorjetas aos funcionários.

Resta dizer que é uma bobagem dizer que isso irá denunciar qualquer coisa. Se o cara não emite nota, não vai continuar tendo controle algum. Essa Lei é uma VERGONHA NACIONAL, mais uma BOBAGEM SINDICALISTA de quem NÃO TRABALHA e não sabe o que fazer, e que obriga o CLIENTE a pagar algo que depende do BOM SERVIÇO! Quer ajudar? Então cacem os informais.

Em suma, é uma lei para taxar a gorjeta e mais nada.

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These were once Buzz videos at MTV Brazil

Believe it or not, these were buzz videos at MTV Brasil back in 1992, 1993, 1994… Quite unbelievable if you come to think of it.

Unrest – Make Out Club (4AD/TeenBeat)

Blur – There’s No Other Way

Nine Inch Nails – Head Like a Hole

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Anthologies: DC Comics’s new strategy to save monthly books?

Nobody seems to have noticed it yet (or it is not such a big deal) but DC Comics’ most recent announced books have been quite on the other hand of the market. While it seems trade paperbacks are gaining speed, while monthlies are lagging behind, DC is surely trying to do something different in order to save this (IMHO) dying media. And this is through anthology books.

DC is certainly not doing anything different than ever: they’ve got a history on anthology books hearkening back to the Golden Age. But while Marvel seem to have forgotten these books somewhere in the 60s or 70s (correct me if I am wrong), DC has long tried many times to see if the market supported new anthology books (Showcase in the 1990s, Action Comics Weekly in the 1980s). Most recently, it has released limited series like Reign In Hell and Trinity, always featuring back-up stories in complement to its main feature.

However, with the introduction of Adventure Comics in June and the yet-unannounced but very much on the pipeline Wednesday Comics, the stakes are much higher. In the first case, what we seem to have is an anthology where the stories are going to be very much intertwined. Usually, anthology books are a bit away from chronology and serve as a platform for tryouts and experimentations. Apparently not this time: there will be a number of properties (among them Superboy, Legion of Super-Heroes and a number of other Superman Family characters) in stories that will be interconnected and tight to the current affairs in the other Superman books.

Wednesday Comics, as hinted by Kyle Baker in a recent interview, and picking up from hints also given by DC Editor-In-Chief Dan Didio and Neil Gaiman, is coming up after Trinity as the new weekly DC book. It looks much more like an anthology of really top creative authors handling DC characters in short stories. Not yet announced – but pretty much on the pipeline – is a Kyle Baker Hawkman story and a Neil Gaiman/Mike Allred 10-page take on Metamorpho. This seems to be in line with the strategy of bringing top creators to DC properties without having to go through the hassles of the All Star line. Meaning: late delivery.

This also seems to be the case of Doom Patrol/Metal Men: by having Metal Men as backup (probably 10 or 8 pages per issue), DC can retain a top talent as Kevin Maguire doing a monthly book.

All this hints at a very different strategy for keeping talent on major books at DC. Whereas Marvel prefers to have 2 artists as “series regulars” or even work with rotating artists (such as Amazing Spider Man’s team), DC will try to make double features or anthology books with real top talent as a way to lure readers back to their books on a weekly/monthly basis and finally accept that top artists can’t seem to be able to work on 22 pages a month – and readers do not like fill-ins all the time. Let’s see if that will work out for the company, because schedule seems to be the Achilles’ Heel of DC during Didio’s tenure.

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Elvis Costello & Lou Reed – A Perfect Day

Confesso que passo por momentos de nenhuma inspiração para posts mas me pergunto se algum canal de TV a cabo não vai arrematar o talk show do Elvis Costello que passa no Sundance Channel lá fora. Além de Elvis ser uma das figuras mais inteligentes e interessantes da música, há momentos simplesmente sublimes, como esse aqui abaixo. Taí uma música que caiu como uma luva para Costello.

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O Rosebud Pop Media voltou… Ele é O Errático agora

Em 2001, o Rosebud Pop Media, nosso antigo zine (nosso= eu, Renato Grinbaum, Binho Miranda e Rodrigo Villalba) decidiu tirar o time de campo, apesar dos milhares e milhares de protestos por sua volta. Desde então, vínhamos com a idéia de dar um salto adiante e avançar para uma área mais de ensaios e papos culturais. Chegamos até a bolar uma edição em livro com todos estes textos, mas devido ao nosso público ser praticamente inexistente (sim, os milhares eram falsos), o projeto já estava natimorto.

Mas finalmente chegou o momento de retomá-lo. E dessa vez será via blog mesmo. O Errático está no ar. Assine o RSS. Comente. Nosso ego precisa da sua massagem.

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SOS Santa Catarina

Estou coletando roupas e farei ainda hoje um depósito para os afetados pela enchente de Santa Catarina, e na tentativa de colaborar mais, aqui vai o link para o meme do Inegaki. Obrigado pela dica, Cavalini.

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Artigo novo na GV Executivo

Sim, estou devendo novos posts há um bom tempo, mas viagens e projetos me travaram. Enquanto isso, tenho um novo artigo escrito para a GV Executivo sobre agências criativas e os “novos criativos”. A idéia do texto é conversar com um público leigo, mas levemente acadêmico, sobre a situação das agências de publicidade no cenário atual, dar um contexto histórico de como se chegou lá, e a partir de uma abordagem “criativa” (no sentido de creative industries) mostrar como isso pode dar a luz a novas abordagens em indústrias semelhantes (moda, publishing, design – o que chamamos academicamente de indústrias fronteiriças).

A revista é meio difícil de achar e, até onde sei, a versão eletrônica demora um tanto para aparecer. Mas na Livraria da FGV (na 9 de Julho, prédio da faculdade), com certeza se acha. Aqui, colo um trechinho, com a boa vontade do Prof. Aranha, publisher da revista.

Foi na década de 1960, ao menos nos grandes mercados, que houve a primeira grande mudança no mundo das empresas de publicidade. Além do atendimento, mídia e criação, que formavam o núcleo de trabalho de uma agência, uma nova disciplina emergiu, primeiramente nas agências J. W. Thompson e BMP (americana e britânica, respectivamente), o chamado account planning, ou o planejamento de comunicação. Sua função era ser o equivalente ao planejamento estratégico das empresas, mas do ponto de vista da comunicação.
Na prática, tal planejamento implicava em um olhar mais específico sobre o consumidor, pois até então as pesquisas eram tratadas como mera informação para o atendimento e para a concepção da mídia, sem a existência de um departamento que “destilasse” e embasasse em perspectiva mais ampla, por exemplo, sociológica, antropológica, econômica e psicológica sobre “quem é” o consumidor.
Com o passar do tempo, estabeleceu-se a certeza de que a principal competência da agência era o conhecimento profundo do consumidor. Isso parece óbvio hoje em dia, mas até esse período a agência de publicidade se limitava, como marketing da empresa, a comunicar as qualidades do produto de maneira literal, tal como um verdadeiro porta-voz da empresa. O público era visto de forma genérica. Basta um olhar sobre a publicidade até meados da década de 1950 para perceber isso.

UPDATE: A matéria, que saiu na versão impressa com uma revisão alterada a posteriori com erros gigantescos, foi consertada na versão digital e está disponível na minha página de artigos científicos. Agredecimentos ao Prof. Francisco Aranha, ao Rafael e à equipe da revista pela gentileza da disponibilidade.

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Humor é política. Ou deveria ser.

Pena não termos produtos de TV tão bons quanto o Saturday Night Live por aqui. Apesar do CQC estar chegando lá, a verdade é que a política foi abolida no Brasil e se tornou monólogo irrelevante calcado em bobagens. O próprio Casseta & Planeta, pós Bussunda, ficou a-político. Quando o humor passa a ter medo de enfrentar os poderes locais, algo vai muito errado no país.

Este quadro abriu a nova temporada e traz a espetacular Tina Fey de volta, após 2 anos fora, fazendo 30 Rock. Notem o sotaque caipira de Sarah Palin que Tina imprime e a crítica mordaz a Hillary e Palin que o quadro sugere.

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Ajudando Lula em seu legado

Lula, o Pensador, disse hoje na inauguração da laje esquerda da UNIABC (Universidade Virtual do ABC), que vai registrar em cartório tudo que ele fez nos últimos anos no governo. Resolvi ajudá-lo e lembrá-lo do legado:

mensalão, aloprados, PF do PT, dossiês, dólar na cueca, Celso Daniel, Toninho do PT, FARCs no Brasil, cumpanhero Maranhão e o MLST, invasão do Congresso, TV Brasil, Gilberto Gil, explosão da dívida interna, déficit de conta-corrente, Marta Relaxa e Goza Suplicy, quebra da Varig, escândalo da Infraero, escândalo da ANAC, compra de votos da ANATEL, quebra de sigilo bancário do Francenildo, Vavá, Lulinha, escândalo BrOi, dólar subvalorizado como controle da inflação, escândalo da Visanet, escândalo do Banco Popular, escândalo do IBAMA, dança da pizza, lobbista Zé Dirceu, crescimento do crime organizado, escândalo de Itaipu, bypass da Bolívia, escândalo do PAN, lei para ajudar sindicalistas, carro popular agora custa 25.000 reais, crédito consignado (ilegalidade), concentração bancária, divisão do país, Bolsa-Esmola, metáforas futebolísticas… 

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20 Anos de Sandman

A DC comissionou um poster comemorativo de 20 anos do lançamento de Sandman, de Gaiman e Dringenberg. Falar da importância de Sandman para o reconhecimento dos quadrinhos como literatura é chover no molhado. O mais interessante é notar a importância dele em trazer leitoras para um mundo predominantemente masculino. Conheço vários casos de leitoras de Sandman e que jamais leram (ou até leriam) algum outro quadrinho tradicional.

Originalmente publicado no blog da New York Magazine. Clique na imagem para ler a matéria e para um quem-é-quem no poster abaixo. Claro que a Delírio é da Jill Thompson.

O Sonhar de Neil Gaiman

UPDATE: Uma versão com melhor resolução está aqui. E o pôster estará à venda em breve nas comic shops.

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JLA Earth-2 (Grant Morrison/Frank Quitely) DC

Quitely rendition of Crime Syndicate of Amerika

Grant Morrison é um homem esperto. Pega um conceito já existente, destila em geral em torno de uma simples premissa e explode para todos os lados, muitas vezes deixando mais lacunas do que respostas. Em suma, tudo que faz um bom roteirista ser um bom contador de histórias.

O Sindicato do Crime (vilões da história em questão) é um conceito antigo, da época pré-Crise nas Infinitas Terras, onde versões vilanescas dos heróis da Liga da Justiça existiriam numa das milhares de terras paralelas. Este mesmo mundo, por sinal, teria tido a Alemanha como vencedora da 2a Guerra. Então, Ultraman, Superwoman e Owlman seriam versões maldosas do Superman, Wonder Woman e Batman, respectivamente.

Morrison altera um pouco a premissa para a existência de um mundo “espelho” (Earth 2), onde o mal sempre triunfaria. Neste mundo, todas as tentativas de fazer o bem e derrotar o mal estariam fadados ao fracasso.

Esta simples premissa é a base para a aventura que começa à la Lost (esta HQ é de 2000, antes portanto): um avião aparece do nada, com todos os passageiros mortos. O estranho: o coração delas fica à direita no peito. Obviamente em seguida, Luthor da Terra 2 surge como um paladino da Justiça.

Até aí, tudo banal: mais uma daquelas histórias de “Rutinha e Raquel” e versões malvadas dos bonzinhos, certo? Errado. A sacada está na premissa: o que aconteceria num mundo onde o mal sempre vence, inexoravelmente? E, de certa forma, é mais uma brincadeira do autor com o meio HQ (como seu trabalho seminal em Homem-Animal e Seven Soldiers of Victory). Uma própria alegoria com o fato de, num mundo de heróis, os vilões sempre se dão mal no final. E se esta lógica fosse pervertida? Morrison parte inclusive do pensamento de que o mal não nasce do bem, mas sim do próprio mal.

Pra quem está ligado no atual mundo da DC, é a mesma premissa que Grant está utilizando em Final Crisis. Aliás, esta volta a conceitos e trabalhos anteriores é uma das características de Morrison, que claramente cita Seven Soldiers of Victory e Earth 2 no primeiro episódio da minisérie.

Não sei se Earth 2 chegou a ser lançada no Brasil na época (acho que não), então aos que quiserem, comprem via Amazon (não, não sou afiliado).

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Air Miami – Me Me Me (TeenBeat/4AD)

Air Miami - Me Me MeQuis recordar um clássico completamente ignorado mas que, já em 1995, trazia guitarras e eletrônica com uma pegada indie rock que somente agora se tornou “na moda”. Falo do Air Miami, projeto surgido das cinzas do predileto da casa Unrest, e que reunia a baixista Bridget Cross e o guitarrista Mark Robinson num projeto bem mais dançante que o trabalho do Unrest. É visível aqui a fascinação de Robinson com o post punk das bandas da Factory britânica e melhor ainda como ele destilava tudo com o indie rock minimalista do Unrest.

Dolphin Expressway é uma das obrigatórias: a faixa mais guitarreira do CD, pegaria bem numa balada no CB ou no Clube Praga, e lembra o Moldy Peaches se destilado na sonoridade do Le Tigre. Sweet Little Heartbreaker é um proto-punk eletrônico minimalista cantado com megafone, em um rush de 2 minutos.

Não é um álbum cerebral e díficil, muito pelo contrário. Chama a atenção por ser grudento, criativo e, ao mesmo tempo, inteligente, sem ser cabeçudo.

O CD não é fácil de achar por aí, mas a loja da TeenBeat tem. Compre já!

PS: Fui ver agora que Mark Robinson lançou as 2 raríssimas demos do Air Miami em CD ano passado! Beleza!

PS: Não deixe de escutar Flin Flon e Unrest, as outras bandas de Mark Robinson.

PS: Um raríssimo vídeo do Air Miami, I Hate Milk. Percebam como as bandas novas clonaram o som deles, sem dar-lhes o just crédito (sim, no mundinho indie o Unrest é amado):

 

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The Wedding Present – El Rey (Manifesto)

The Wedding Present - El ReyQuando se tem Wedding Present e Steve Albini juntos num mesmo álbum, algo mágico sempre acontece. Na primeira vez, deu no EP 3 Songs, que tem umas das melhores canções da década de 90, Crawl. Depois, ele se juntaram novamente para o monumental Seamonsters, um daqueles dez álbuns para se levar a uma ilha deserta e tal.

Eis que 17 anos depois, com 3 álbuns, um Cinerama, e um retorno e mudança para os Estados Unidos, surge El Rey, o novo trabalho de David Gedge e quem quer que esteja junto (não é só a voz de Gedge que me lembra do Fall), com Steve Albini novamente nos botões e engenharia. Seamonsters Volume 2?

Não exatamente. Gedge não é um músico tradicional: sua banda, apesar de ser originalmente de Leeds, nunca soou exatamente britânica. Nenhum álbum do Wedding Present lembra o anterior: há sempre mudanças sensíveis, seja de tom, tema, peso, velocidade etc. E é fato que, desde que fez o projeto Cinerama, seu som ficou muito menos abrasivo e nervoso.

Este é um dos lados do álbum. Mas Gedge sempre fez letras dúbias e provocativas sobre as relações humanas (como nosso amigo Elvis Costello, e muito antes do Belle & Sebastian). E a inspiração deste álbum é a Califórnia, mas visto por personagens levados ao lado excessivo do sol local. Albini entra exatamente perfeitamente, dando o contraste do tom mais seco, sinistro e direto a um som aparentemente ensolarado. É esta mistura que coloca El Rey já entre os melhores álbuns do Wedding Present.

Não, não é tão bom quanto Seamonsters (falta a finesse com peso de Simon Smith, o melhor baterista de sua geração, por exemplo), mas é mais um daqueles álbuns que estão fora do radar simplesmente por não ser parte da “nova onda” do momento. O que importa é que você, que leu aqui, já sabe. Coloquei duas faixas no meu muxtape para diversão de todos.

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Justice e a relevância do videoclip

Stress, o já bastante comentado vídeo do duo francês Justice, pode ser visto sob vários aspectos. Dirigido por Romain-Gavras, parece superficialmente um mero exercício estético de violência gratuita. Mas, quando nos lembramos dos distúrbios nos “banlieurs” parisienses de tempos recentes e no aparente niilismo por trás das ações, o vídeo passa a ter uma relevância muito superior. Se Um Dia de Fúria era o filme icônico sobre a violência da década de 90, Stress pode muito bem ser sua releitura no século XXI. Sim, é tão importante quanto pareço implicar. 

Além disso, o clipe mostra que o formato de videoclipe está longe de estar morto. Não à toa, a MTV brasileira, devagarzinho, volta a colocar clipes em sua programação noturna.

PS: o vídeo não é recomendado à pessoas com medo de violência ou impressionáveis. Muito menos a moleques imbecis que acham tudo isso muito engraçado.

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