Lá nos idos da década de 90, uma “nova” geração de auto-denominados escritores da “Geração 90” publicou, sob auspícios do organizador Nelson de Oliveira o livro Geração 90 – Os Transgressores. A pretensão no nome foi um verdadeiro achado mercadológico. Porque não só os autores eram pretensamente transgressores (caso você ache palavrão e concretismo transgressão, aí não), mas alguns deles eram figurinhas carimbadas de qualquer movimento pseudo-underground (tipo Fausto Fawcett). O livro publicado em 2003 pegou a primeira geração de escritores blogueiros (gente tipo Clarah Averbuck e Marcelino Freire) e cometeu a pretensão de dizer que se tratava de um livro na tradição de Joyce, de Breton e de Oswald!

Já na resenha do mesmo, que seria publicada no extinto Rosebud Pop Media, mas não foi, destacava que o livro era uma bomba: sub-Bukowskis se revezavam em textos porcamente escritos, com citações pop absolutamente gratuitas, que serviam para ocultar a incapacidade de contar um simples conto. Era, como quase tudo na cultura nacional que surgiu a partir do final da década de 80, o triunfo do superficial, do “jeitinho” de se fazer cultura (sempre politicamente correta, sempre na base da brodagem, sempre “esquerdinha Chivas” dependente da grana pública). Apenas um autor se salvava, porque o pop nele era tempero e erudição, mas não era o que segurava o texto. Mal comparando, era um layer a mais: o lado pop dava um ingrediente a mais, especialmente para os leitores da geração dele (meu caso), para um conto que, na verdade, falava sobre um personagem interessante (que poderia ser ele mesmo?) e suas angústias. Ele era Marcelo Mirisola.

Os dois piores escritores desta época eram certamente o militante do dinheiro alheio Marcelino Freire (que ainda por cima é fixado em Chico César, nosso homem-abacaxi) e Clarah Averbuck, a blogueira que virou uma espécie de Lydia Lunch tupiniquim, mas sem graça, sem sexo e com bastante palavrão. Eles se tornaram (por militância) os grandes embaixadores desta “geração”. Seus trabalhos eram pouco lidos, porcamente escritos, mas como geravam pauta na hagiográfica imprensa! Parecia que representavam toda uma geração de… não-leitores. Hum, vai ver era isso. Isso ao menos explica que eles vivessem mais na Mercearia São Pedro do que, sei lá, escrevendo melhor.

Por que falo em Mirisola? Porque ele finalmente enterra toda essa podre Geração Mercearia São Pedro em dois artigos maravilhosos, publicados no Congresso em Foco. A parte 1 está aqui e a 2 aqui. A dica foi dade pelo outro bom (e raro) escritor brasileiro recente, o Paulo Polzonoff. Se conseguirem achar seu ótimo O Cabotino, serás uma pessoa mais feliz (e certamente mais rabugenta).

Se alguém se interessar pela resenha, posso colocá-la aqui. Fiquem a vontade.

PS: Já coloquei, é só clicar acima.