Archive for category Academia

Artigo novo na GV Executivo

Sim, estou devendo novos posts há um bom tempo, mas viagens e projetos me travaram. Enquanto isso, tenho um novo artigo escrito para a GV Executivo sobre agências criativas e os “novos criativos”. A idéia do texto é conversar com um público leigo, mas levemente acadêmico, sobre a situação das agências de publicidade no cenário atual, dar um contexto histórico de como se chegou lá, e a partir de uma abordagem “criativa” (no sentido de creative industries) mostrar como isso pode dar a luz a novas abordagens em indústrias semelhantes (moda, publishing, design – o que chamamos academicamente de indústrias fronteiriças).

A revista é meio difícil de achar e, até onde sei, a versão eletrônica demora um tanto para aparecer. Mas na Livraria da FGV (na 9 de Julho, prédio da faculdade), com certeza se acha. Aqui, colo um trechinho, com a boa vontade do Prof. Aranha, publisher da revista.

Foi na década de 1960, ao menos nos grandes mercados, que houve a primeira grande mudança no mundo das empresas de publicidade. Além do atendimento, mídia e criação, que formavam o núcleo de trabalho de uma agência, uma nova disciplina emergiu, primeiramente nas agências J. W. Thompson e BMP (americana e britânica, respectivamente), o chamado account planning, ou o planejamento de comunicação. Sua função era ser o equivalente ao planejamento estratégico das empresas, mas do ponto de vista da comunicação.
Na prática, tal planejamento implicava em um olhar mais específico sobre o consumidor, pois até então as pesquisas eram tratadas como mera informação para o atendimento e para a concepção da mídia, sem a existência de um departamento que “destilasse” e embasasse em perspectiva mais ampla, por exemplo, sociológica, antropológica, econômica e psicológica sobre “quem é” o consumidor.
Com o passar do tempo, estabeleceu-se a certeza de que a principal competência da agência era o conhecimento profundo do consumidor. Isso parece óbvio hoje em dia, mas até esse período a agência de publicidade se limitava, como marketing da empresa, a comunicar as qualidades do produto de maneira literal, tal como um verdadeiro porta-voz da empresa. O público era visto de forma genérica. Basta um olhar sobre a publicidade até meados da década de 1950 para perceber isso.

UPDATE: A matéria, que saiu na versão impressa com uma revisão alterada a posteriori com erros gigantescos, foi consertada na versão digital e está disponível na minha página de artigos científicos. Agredecimentos ao Prof. Francisco Aranha, ao Rafael e à equipe da revista pela gentileza da disponibilidade.

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O que afinal a literatura dos anos 90 transgride?

 

Ninguém pediu, mas vai aqui um texto escrito em outubro de 2003, onde dou minha opinião sobre o livro Geração 90: Transgressores. Este texto foi preparado como um ensaio para o projeto O Errático, o filho bastardo do Rosebud Pop Media, que um dia ainda pretendo fazer acontecer. Não alterei nada no texto desde então.

 

O que afinal a literatura dos anos 90 transgride?


Leitura de Geração 90: Transgressores reforça impressão de falta do que dizer da atual produção literária nacional

Transgredir= passar além de, violar.

Uma certa polêmica surgiu na mídia quando, em debate com autores no caderno Ilustrada, do jornal Folha de São Paulo de 26/07/2003, o escritor Bernardo Carvalho resumiu sua idéia sobre os autores agrupados no livro Geração 90: Transgressores (Editora Boitempo): tratava-se mais de um projeto que buscava visibilidade para um grupo de escritores do que efetivamente um movimento ou algo significativo. A reação foi imediata: uns diziam que o que importava não era o rótulo e sim o conteúdo e, por não ter lido os trabalhos, não entenderiam a questão. Outros que propaganda é sempre boa, eles têm mais é que aparecer, que a questão literária surgiria por si só, entre outras milhares de opiniões.

Bernardo Carvalho tem razão em dizer que o rótulo de Geração 90, e principalmente Trangressores, tem muito mais a ver com marketing que qualquer outra coisa. O trabalho, organizado pelo também escritor Nelson de Oliveira, é mais um retrato de brodagem literária a serviço da difusão do que uma compilação de peso que tenha algo mais substancioso a dizer. O que não é ruim per se; sendo eu um homem de marketing, acredito na necessidade de se utilizar de um recurso interessante para chamar a atenção de um público que, de outra maneira, não seria exposto a trabalhos de autores desconhecidas. Read the rest of this entry »

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Frase para se pensar

Pincei essa frase do blog do Reinaldo Azevedo, mas que pode muito bem ser entendida dentro das empresas e da comunicação no Brasil.

E se eu lhes dissesse que o problema do Brasil é excesso de convergência? De tal sorte todo mundo converge, que o poder não se atreve a mexer nos interesses estabelecidos.

Pense nas últimas campanhas que teriam ousado enfrentar interesses estabelecidos. Ou que tentem falar com nichos, desagradando outros. Ou pessoas que possuem visões diferentes na sua empresa, mas são consideradas “promovedoras de discórdia” e “briguentas”.

Isso também me lembra o famoso trecho do livro Carnavais, Mitos e Heróis, de Roberto DaMatta, onde ele fala sobre a palavra discussão e suas conotações opostas em inglês (entendida como positiva, como argumentação) e português (vista como negativa, sinônimo de briga). Percebam como isso reflete nossa “predisposição” para o “acerto” e para a “convergência”, que eu enxergo como estagnação e manutenção de status quo. Se puxarmos ainda mais o fio, chegaremos no homem cordial…

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Por que a sociedade brasileira se ilude tão facilmente?

Simon Schartzmann é um sociólogo diferenciado no Brasil. Com simplicidade e sem precisar jogar para a torcida, consegue em poucas linhas resumir bem o momento desastroso pelo qual passamos, especialmente com a ascensão de Lula I, o Apedeuta. Falando sobre o relançamento, em versão eletrônica do clássico Bases do Autoritarismo Brasileiro (1988), ele comenta:

O livro mantém o texto integral da edição de 1988, com uma pequena nova apresentação, aonde observo que, quase vinte anos percorridos, uma das principais proposições do livro pareceria ter se cumprido. [...] No prefácio de 1988 eu dizia que “foi de São Paulo que surgiram as pressões sociais mais fortes contra os poderes concentrados no Governo federal, tanto por parte de grupos empresariais quanto pelo movimento sindical organizado; é em São Paulo, em última análise, que se joga a possibilidade de constituição de um sistema político mais aberto e estável, que possa dar ao processo de abertura uma base mais permanente”. Read the rest of this entry »

Brasil Narciso

Tem gente que possui mais capacidade para articular certas idéias e que consegue colocar em poucas palavras uma sensação que você já possuía mais colocava em vários posts ou textos separados, aparentemente sem coesão. É esse o caso de Brasil Narciso, do Prof. Jean Marcel Carvalho França, da UNESP. Em um breve ensaio, coloca o dedo na ferida do ego inflado e da falta de relação entre realidade e percepção do brasileiro médio.

Em suma, o Brasil é um país onde o que é bom é nato e só nós temos, mas tudo que é ruim, é porque a culpa é dos outros. Leiam o artigo completo aqui.

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O problema da agenda da esquerda

Sou obrigado a colocar este trecho do ótimo post do Reinaldo Azevedo, que acaba jogando luz sobre o problema de agenda da esquerda brasileira atual:

A esquerda é, hoje em dia, essa coisa frívola. Não pensa mais em termos de luta de classes — o que não quer dizer que seja, por isso, menos nefasta. Não é. A miséria é sua clientela. Vejam lá. As ONGs sobem o morro, mas não para fazer proselitismo, para “libertar” os oprimidos. Isso dá trabalho e não rende dinheiro. Fazem convênios com associações culturais ou de moradores as mais suspeitas para ensinar aos meninos dança, funk, malabares sei lá o quê. As pessoas são estimuladas a desenvolver a cultura da miséria.

A regra é o conformismo. Um tanto grosseiramente, diria que um liberal estimularia o pobre a deixar de ser pobre. Como? Oferecendo-lhe as bases estruturais mínimas para isso: uma escola decente, por exemplo. A esquerda tradicional procuraria organizar a favela, no limite utópico, para o dia do levante; enquanto ele não chega, para desmoralizar o poder burguês. Essa nova esquerda do miolo mole é um tanto diferente: ela luta para que os “valores!” gerados na pobreza sejam uma alternativa à cultura dominante. Vejam o caso dos bailes funk. Cada barraco do Rio sabe que eles são o meio mais eficaz de aliciamento dos jovens para o narcotráfico, que os promove. Tim Lopes morreu investigando o caso. Não obstante, os “intelectuais” dessa “cultura” estão na TV, exercitando a sua glossolalia. Outro dia, um Schopenhauer do pedaço disse na Universidade de Brasília — vi na TV Câmara — que a sua turma de “artistas” não condena o traficante, mas o tráfico. Entendi.


O que me parece mais incrível é que boa parte dessas ONGs realmente vivem de manter a miséria em padrões ditos tolerantes. Alguém conhece algum caso em que um trabalho de ONG numa favela carioca tenha dado resultados que não tivessem sido mais tráfico de drogas, mais violência e mais miséria? Simples: nenhuma delas trabalha com metas que incluam o Estado. Nada do Estado reocupando o espaço público. A comunidade deve se auto-gerir (lógico, sob o jugo das armas dos traficantes), deve-se negociar com traficantes para se ter acesso ao local… Abre-se mão de tudo, para se obter nada como retorno, só um coraçãozinho mais tranquilo e um pouco de grana na ONG.

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Porque a ida da classe média aos postos públicos revela um desastre nacional

VejaA Veja dessa semana derrapa feio numa matéria que mostra a fuga dos talentos e da classe média bem formada para os empregos públicos. Ela falha por abordar efeitos colaterais como se fossem os efeitos principais, esquecendo-se de buscar a raiz da fuga.

Segundo a revista, por meio da valorização dos salários das “boas” carreiras de governo (e aí a revista já mistura empresas estatais com empresas públicas, o que distorce o resultado), pela possibilidade de “altos salários” (se alguém achar que 2500 dólares para tomar pipoco na rua é bom salário), pela estabilidade e pelas “perspectivas de crescimento na carreira” (aqui novamente se distorcendo o conceito de empresa pública e estatal, onde a “perspectiva” faz mais sentido).

Assusta que a revista tenha simplesmente se esquecido do brutal desaparecimento dos empregos qualificados, da precarização do trabalho fortalecida nesse que é o pior governo da história em termos estruturais e institucionais (isso sem falar na corrupção e decadência moral, que daria outro livro). Só para dar um exemplo, copio esse trecho do texto de José Paulo Kupfer, do ótimo nomínimo, lembrando que a indústria de transformação é aquela que gera empregos qualificados, bem pagos e que movimenta as principais cadeias produtivas longas (em bom português, geram empregos e renda):

Segundo dados publicados no “Estado de S. Paulo”, neste domingo, a indústria de transformação cresce abaixo do PIB desde 2004 e, de acordo com dados publicados pela “Folha de S. Paulo”, neste domingo, vem perdendo densidade tecnológica. A indústria de transformação representa hoje somente 18% do PIB e seus setores de ponta encolheram 16%, nos últimos dez anos (hoje 70% da indústria fabrica produtos de baixa ou média-baixa tecnologia).”

Isso é um verdadeiro desastre, prova de erros inacreditáveis de prioridade. O pior é que a reportagem de Veja deveria ter servido de alerta, e não ter falado como prova de que estamos no caminho certo. Se alguém me provar que algum dia algum país evoluiu ao levar toda sua massa crítica de trabalho formado para o governo e não para o setor privado, que use esse espaço para me desacreditar. Exceto por pesquisadores acadêmicos e pessoas com vocação para o trabalho público, o restante deveria estar fora do governo, pesquisando, investindo em novos produtos, novas tecnologias, novos modelos de gestão… Mas não: o Brasil é uma jabuticaba podre, copiando o que há de pior (modelo italiano de corrupção) e inovando no que não é para inovar (a volta da monocultura)...

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As revistas de luxo à moda brasileira

Trabalhar numa agência faz com que você observe algumas coisas bizarras de nosso universo brazuca. Uma delas é a quantidade de revistas disputando o tal mercado AAAAA+. Da Abril a editoras minúsculas, com títulos esdrúxulos como a V (revista de luxo da Volkswagen??? Quem merece?), todas querem atuar nesse mercado mais do que saturado. O pior é que praticamente nenhuma se salva em conteúdo: trata-se de uma versão piorada e afetada dos catálogos Avon, só que mais carregado de zeros.

Sei, da boca pequena, que boa parte delas só existe para esquentar peças fantasmas das agências nacionais, uma situação surrereal que só no Brasil mesmo. Ou seja, criam-se veículos sem leitores para veicular peças inexistentes para um público que não existe, já que não é uma revista para ser lida etc…

E as poucas para serem lidas, como a Bravo, são tão indigentes em termos de cultura que ainda acham Marisa Monte relevante (só se for como marketeira…).

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Starbucks deveria fechar capital?

StarbucksUm dos textos mais instigantes que li recentemente está no interessante blog ChangeThis, criado pelo Seth Godin como uma espécie de megablog de “manifestos”. Tirando 80% de exageros e muitas palavras de ordem e semi-motivacionais, há ótimos achados, já que alguns dos escritores realmente possuem algo a dizer.

Por exemplo, John Moore, que já foi diretor nacional da cadeia Whole Foods e de varejo no Starbucks, abre uma discussão sobre um famoso memorando interno que vazou, escrito no início de 2007 pelo CEO da Starbucks. Nesse, Jim Donald fala sobre a percepção de comoditização da marca que começa a corroer a experiência de loja que sempre tiveram. Por exemplo, ele questiona se a mudança para máquinas automáticas de café espresso não tiraram justamente a cara artesanal e pessoal que a loja sempre teve, entre outros questionamentos que claramente afetariam muito da expansão da empresa.

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Uma lágrima por Chandler

Enquanto o meu WordPress continua com problemas sérios (e sem solução à vista – não consigo classificar mais os posts), um minuto de leitura silenciosa pela morte do grande Alfred Chandler, um dos pais da moderna estratégia e grande historiador da administração moderna. Foi ele quem difundiu as primeiras idéias sobre formatos estratégicos eficientes para controle de grandes corporações e, independente das críticas que possam ser feitas, seu trabalho pioneiro não pode ser minimizado.

Aqui, um bom obituário.

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Proposta de Sociologia do Cigarro – II

Fumante modernoVolto ao tema da sociologia do cigarro, minha tentativa barata de teorizar. É notável observar que o perfil típico do fumante “bacana” atual se encaixa no perfil “alternativo/moderno” dos jovens. Sim, é verdade que os adolescentes e pobres perfazem boa parte do público fumante, em especial das marcas mais populares, mas são os “modernos” que dão a atual cara de glamour e “descolamento” ao produto, na falta dos galãs de Hollywood.

Mas mais engraçado que isso é que se trata de um público geralmente anti-corporações, anti-marcas, anti-capitalista, “sou de esquerda” etc, sendo que o cigarro é um dos produtos mais prejudiciais a populações locais (o tabaco destrói o solo), e faz parte de um setor dominado por grandes conglomerados multi-nacionais ligados às práticas comerciais mais desleais e anti-éticas.  São contribuintes fervorosos dos Republicanos, ou seja, fumou um cigarro, está dando dinheiro para George Bush. Não é irônico?

Gostosas também fumam, pois!

Ou ser moderno é ser incoerente e incongruente, ou a posição política deste povo é apenas uma maneira de se conseguir sexo mais fácil, já que a esquerda parece ser mais liberal do que a direita neste tipo de assunto. Nada mais status quo, mais reacionário, portanto, do que fumar.

Isso sem falar no culto à maconha, outra praga que “moderno” ignora (ou melhor, finge ignorar) seus efeitos sociais e econômicos. Tema de um próximo texto.

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Para começar 2007, um pouco de história…

De um futuro artigo na revista Enterprise & Society. Muito interessante, mostrando que a tal elite brasileira sempre foi mais ampla do que os clichés costumam indicar e sensivelmente menos concentrada do que no México.


Bankers, Industrialists, and Their Cliques: Elite Networks in Mexico and Brazil during Early Industrialization


Authors: Aldo Musacchio and Ian Read
Abstract

The historiographies of Mexico and Brazil have implicitly stated that business networks were crucial for the initial industrialization of these two countries. Recently, differing visions on the importance of business networks have arisen. In the case of Mexico, the literature argues that entrepreneurs relied heavily on an informal institutional structure to obtain necessary resources and information. In contrast, the recent historiography of Brazil suggests that after 1890 the network of corporate relations became less important for entrepreneurs trying to obtain capital and concessions, once the institutions promoted financial markets and easy entry for new businesses. Did entrepreneurs in Brazil and Mexico organize their networks differently to deal with the different institutional settings? How can we compare the impact of the institutional structure of Mexico and Brazil on the networks of entrepreneurs and entrepreneurial finance in general? We explore these questions by looking at the networks of interlocking boards of directors of major joint stock companies in Brazil and Mexico in 1909. We test whether in Mexico businessmen relied more on networks and other informal arrangements to do business than in Brazil. In Brazil, we expect to find less reliance of businesses on networks given that there was a more sophisticated system of formal institutions to mediate transactions and obtain capital and information. Our hypothesis is confirmed by three related results: 1) the total number of connections (i.e., the density of the network) was higher in Mexico than Brazil; 2) In Mexico there was one dense core network, while in Brazil we find fairly dispersed clusters of corporate board interlocks; and most importantly, 3) politicians played a more important role in the Mexican network of corporate directors than their counterparts in Brazil. Interestingly, even though Brazil and Mexico relied on very different institutional structures, both countries grew at similar rates of growth between 1890 and 1913. However, the dense and exclusive Mexican network might have ended up increasing the social and political tensions that led to the Mexican Revolution (1910-1920).

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Como uma bobagem estatística pode transformar o Brasil em Índia

Freqüentemente acontece de me deparar com idéias reducionistas que colocam o brasileiro classe média no mesmo Panteão dos milionários e ricos, simplesmente por conta do maldito Critério Brasil de análise de mídia.

Para quem não conhece, o Critério Brasil estima o poder de compra dos brasileiros a partir dos dados do LSE (Levantamento Sócio Econômico) do IBOPE Mídia. No frigir dos ovos, é dele que surgem as famosas divisões de Classe Social utilizadas nos ambientes de marketing e de agências de publicidade (classe A, B, C, D e E). Neste tosco critério, faz parte dos milionários brasileiros (Classe A1) aqueles cuja renda familiar é de R$7.793,00 em média (ou espetaculares US$3.500 por família, em dez/06). Ou seja, se o pai e a mãe ganharem R$3000 reais cada, mais um filho estagiando, seriam co-irmãos do Joseph Safra e da família Ermírio de Morais.

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Porque o brasileiro é tão musical mas não entende de música?

O título provocativo tem sua razão de ser. Comentava com colegas sobre o fato do brasileiro, em geral, gostar tanto de reggae mas não conseguir sair do cliché Bob Marley – Peter Tosh – AlgumaCoisaRoots de conhecimento reggaeiro.

Pergunte aos fãs de reggae se eles conhecem os Upsetters ou Lee “Scratch” Perry. Ou se eles saber o que é rocksteady ou a diferença do dub para o reggae. Ou até mesmo questionar porque não tem contrabaixo no reggae brasileiro. Provavelmente, receberá uma cara de “o que ele tá falando???” de presente. Claro, pode ser o grau de cannabis na cabeça do sujeito, mas digamos que não seja. E por que isso nos interessa neste blog? Ora, o reggae é só um exemplo: a superficialidade do conhecimento dos conhecedores no Brasil é que é o fator crucial deste artigo…

Não há aparentemente nenhuma razão que impeça os fãs de reggae de buscarem conhecer mais o ritmo que admiram. Mas eles se parecem satisfeitos com a repetição ad nauseum dos mesmos sucessos de sempre. O mesmo acontece no rock, no jazz, no blues e em tudo relacionado à cultura no Brasil. Claro, há sempre uma ceninha de novidades aqui e acolá, mas em geral, tais novidades são apenas mímicas de cenas estrangeiras já perfeitamente diluídas ou então regurgitação dos grandes bastiões da MPB, aquela com M maiúsculo, de ME ESQUEÇAM UM POUCO!

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A destruição criativa da cadeia audiovisual

A venda de episódios recém-saídos do seriado Lost nas barraquinhas dos camelôs, já devidamente legendadas e empacotadas para consumo local, é sintomático de um fenômeno cujos craquelamentos se vêem em outras partes: a destruição do modelo síncrono da indústria audiovisual.

Explico. A indústria cinematográfica, há muito tempo, baseia sua receita não somente na ida dos fãs ao cinema, mas da receita advinda da venda de direitos para home video (VHS e DVD), Pay-per-view, TV a Cabo, TV aberta e finalmente hoje, iPods. Mas esta receita era diluída no tempo: ou seja, primeiro se rentabilizava o cinema. Passados alguns meses, e os atrasos no mercado internacional, passa-se ao outro naco da cadeia (DVD) e assim por diante.

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