O interessante está justamente neste “olhar atento”; afinal, isso é uma mistura de futurologia com sorte de acertar o que a estação pede. Esta capacidade de prever o futuro faz com que a empresa apresente baixos índices de estoque, uma de suas vantagens competitivas no mercado. A pergunta é: como saber o que é um “olhar atento” que traz vantagens competitivas a priori?
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As lógicas da arte musical
Oct 11
O sociólogo Simon Frith apresenta sua tese no fabuloso Performing Rites (sem tradução no Brasil). Para ele, diferentemente do que prega Adorno, a música popular tem tanto valor quanto a música erudita/experimental, pois elas possuem lógicas distintas e não-comparáveis. Frith alega que a música popular facilita diálogos, abordando a música do ponto de vista sociológico-prático do tema.
Vou fazer um resumo muito tosco agora. Peço perdão a ele. Simon diz que a lógica da folk music (e que, de certa forma, é a mesma de qualquer música de raiz, seja o samba, o hip hop ou o blues) está na pureza, na pregação social da proteção. A música erudita tem uma lógica técnica, de depuração, ancorada num discurso social de música feita com o cérebro. Já a música popular não tem nem o compromisso com a técnica, nem com a pureza, mas mais com discursos sociais. É por isso que, se um amigo seu vier com o papo de que o jazz e a MPB são estilos de música superiores ao rock, você esfrega na cara dele que a lógica dele é diferente da sua.
Novo artigo
Oct 3
ps: quero pedir desculpas ao único leitor do blog pelo sumiço. Por conta de problemas pessoais, o blog esteve meio parado, mas voltará com força total a partir desta semana. Com o artigo prometido.ps2: está lá, na área de artigos…
[ricos] gostam da inveja dos pobres.
... e que, por isso, deveriam se cobrar impostos maiores sobre o consumo direcionado para provocar este tipo de inveja social (para quem conhece Veblen, o chamado consumo conspícuo).
Estou aqui me alinhando ao que diz Tyler Cowen. Para ele, mesmo que este interesse por status exista, para um rico, é muito mais excitante ser invejado por outro rico. Ricos que gostam de se sentir invejados pelos pobres são vistos como perdedores pelos demais ricos. Ao mesmo tempo, pobres nutririam mais inveja do coreano que se deu bem na vendinha da esquina do que com a Paris Hilton. O coreano, portanto, teria um consumo conspícuo igualmente alto para o pobre, e de certa forma, muito mais aparente e provocativo para sua classe.
Read the rest of this entry »O Fator S
Aug 24
É simples dizer que é um pouco dos dois, mas esta é a resposta fácil. O artigo de Godin é interessante por mostrar que, em indústrias muito ligadas à moda ou a mudanças sociais de difícil avaliação, o controle das variáveis é quase impossível. Contudo, isso não torna a estratégia obsoleta: apenas altera-se a forma de se utilizá-la.
Read the rest of this entry »Quando estive nos EUA e França, em duas oportunidades distintas, uma das situações que mais me chamavam a atenção era a postura dos fumantes em situações de convívio social. Em miúdos: o que há de comportamento sociológico no simples ato de se fumar em público?
A primeira coisa que me despertou curiosidade era o fato que a ampla maioria dos fumantes mantinham seus cigarros próximos à boca, ou muito colado ao rosto. Parecia haver um interesse em que o cigarro estivesse circunscrito ao espaço individual, de forma a não perturbar a pessoa ao lado – que poderia não ser fumante. Outra sensação era a de que o ato de fumar era um momento de prazer puramente pessoal, uma ação que independia relativamente dos outros. Mesmo a fumaça era solta devagarzinho, em cima de si próprio, sem aquela coisa de assoprar jatos à distância.
Já no Brasil, o que mais se vê é o fumante abrindo os braços largos e literalmente jogando o cigarro na cara da pessoa que estiver atrás ou do lado, especialmente se esta não for conhecida. Ao soltar a fumaça, a fumante ou joga tudo para trás, ou para cima, ou para o lado. Ou seja, o fumar no Brasil parece ser um ato muito menos de prazer pessoal, e mais de afeto social e que reforça o caráter egoísta do brasileiro médio. Read the rest of this entry »
A última onda é a da avaliação individual de performance, moda esta que está chegando à burocracia brasileira via Aético Neves e seu governo virtual em Minas. É curioso, porque vários estudos têm demonstrado que os efeitos negativos da utilização da medição de performance individual tem superado os positivos, como se vê no trabalho de Pffefer e Sutton (2006). Um ótimo artigo da Harvard Business Review toca no tema, ao falar sobre “inteligência executiva”. O link vai abaixo.
How Important Is “Executive Intelligence” for Leaders? — HBS Working Knowledge
Em tempo: os dados no Brasil são ainda piores – o índice de leitura é de ridículos 1,5 livro per capita – sendo que somente 17 milhões de brasileiros são compradores e 26 milhões são leitores. Ou seja, 14% da população lê cerca de 10 livros/ano, o resto depende da Globo para se sentir gente. Dados da Pesquisa Retrato da Leitura, feita em 2001 pela CBL.
Eis que na verdade, tínhamos a receita do fracasso: um bando de estrelas agindo por conta própria, um gestor medroso e medíocre, cujas glórias passadas se deram a despeito e não por causa dele, e uma crença na divindade específica do Brasil, em que um lance genial resolvesse todos nossos problemas.
Read the rest of this entry »Os limites da estratégia
Jun 20
Em Creating Strategy in an Unknowable Universe, escrito pelo Senior Advisor da McKinsey & Co., Eric D. Beinhocker, este argumenta que, em cenários econômicos voláteis, o planejamento estratégico deixa de ser um plano estático, com metas claras e rígidas, para se tornar uma espécie de portfólio de experimentos, com opções flexíveis, mutantes, que tornariam as organizações melhor preparadas para enfrentar cenários ambientais turbulentos. Read the rest of this entry »
Um livro interessantíssimo, e que questiona uma série de dogmas da historiologia brasileira, parece dar indicações sobre este fenômeno. O Arcaísmo Como Projeto, dos professores da UFRJ João Fragoso e Manolo Florentino, apresenta uma série de estudos sobre o final do período colonial que põem em cheque alguns dos mais conhecidos dogmas da história nacional. Por exemplo, a bazófia da inexistência de uma economia local forte por culpa portuguesa, ou mesmo a impossibilidade do pobre ascender numa sociedade tão desigual. Mas não é disso que trato aqui. Mas de um dado mais pertinente para este tópico, que é a concentração da riqueza não no produtor, mas no intermediário. Segundo o livro, 20 famílias locais praticamente controlavam do transporte à logística de distribuição de produtos e escravos, além do crédito na colônia, sendo que seus tentáculos chegavam inclusive à metrópole portuguesa e África.
Não deixa de ser curioso notar que, segundo os historiadores, estas famílias não duravam mais que duas gerações – já que aparentemente, neste momento, elas se livravam das empresas, compravam um bocado de terra no interior e iam viver de rendas. Ou seja, nunca se transformava em capital produtivo, mas servia para legitimar uma certa aristocracia local, que reproduzia a aristocracia portuguesa.