Archive for category Sociologia

Frase para se pensar

Pincei essa frase do blog do Reinaldo Azevedo, mas que pode muito bem ser entendida dentro das empresas e da comunicação no Brasil.

E se eu lhes dissesse que o problema do Brasil é excesso de convergência? De tal sorte todo mundo converge, que o poder não se atreve a mexer nos interesses estabelecidos.

Pense nas últimas campanhas que teriam ousado enfrentar interesses estabelecidos. Ou que tentem falar com nichos, desagradando outros. Ou pessoas que possuem visões diferentes na sua empresa, mas são consideradas “promovedoras de discórdia” e “briguentas”.

Isso também me lembra o famoso trecho do livro Carnavais, Mitos e Heróis, de Roberto DaMatta, onde ele fala sobre a palavra discussão e suas conotações opostas em inglês (entendida como positiva, como argumentação) e português (vista como negativa, sinônimo de briga). Percebam como isso reflete nossa “predisposição” para o “acerto” e para a “convergência”, que eu enxergo como estagnação e manutenção de status quo. Se puxarmos ainda mais o fio, chegaremos no homem cordial…

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Por que a sociedade brasileira se ilude tão facilmente?

Simon Schartzmann é um sociólogo diferenciado no Brasil. Com simplicidade e sem precisar jogar para a torcida, consegue em poucas linhas resumir bem o momento desastroso pelo qual passamos, especialmente com a ascensão de Lula I, o Apedeuta. Falando sobre o relançamento, em versão eletrônica do clássico Bases do Autoritarismo Brasileiro (1988), ele comenta:

O livro mantém o texto integral da edição de 1988, com uma pequena nova apresentação, aonde observo que, quase vinte anos percorridos, uma das principais proposições do livro pareceria ter se cumprido. [...] No prefácio de 1988 eu dizia que “foi de São Paulo que surgiram as pressões sociais mais fortes contra os poderes concentrados no Governo federal, tanto por parte de grupos empresariais quanto pelo movimento sindical organizado; é em São Paulo, em última análise, que se joga a possibilidade de constituição de um sistema político mais aberto e estável, que possa dar ao processo de abertura uma base mais permanente”. Read the rest of this entry »

Brasil Narciso

Tem gente que possui mais capacidade para articular certas idéias e que consegue colocar em poucas palavras uma sensação que você já possuía mais colocava em vários posts ou textos separados, aparentemente sem coesão. É esse o caso de Brasil Narciso, do Prof. Jean Marcel Carvalho França, da UNESP. Em um breve ensaio, coloca o dedo na ferida do ego inflado e da falta de relação entre realidade e percepção do brasileiro médio.

Em suma, o Brasil é um país onde o que é bom é nato e só nós temos, mas tudo que é ruim, é porque a culpa é dos outros. Leiam o artigo completo aqui.

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O problema da agenda da esquerda

Sou obrigado a colocar este trecho do ótimo post do Reinaldo Azevedo, que acaba jogando luz sobre o problema de agenda da esquerda brasileira atual:

A esquerda é, hoje em dia, essa coisa frívola. Não pensa mais em termos de luta de classes — o que não quer dizer que seja, por isso, menos nefasta. Não é. A miséria é sua clientela. Vejam lá. As ONGs sobem o morro, mas não para fazer proselitismo, para “libertar” os oprimidos. Isso dá trabalho e não rende dinheiro. Fazem convênios com associações culturais ou de moradores as mais suspeitas para ensinar aos meninos dança, funk, malabares sei lá o quê. As pessoas são estimuladas a desenvolver a cultura da miséria.

A regra é o conformismo. Um tanto grosseiramente, diria que um liberal estimularia o pobre a deixar de ser pobre. Como? Oferecendo-lhe as bases estruturais mínimas para isso: uma escola decente, por exemplo. A esquerda tradicional procuraria organizar a favela, no limite utópico, para o dia do levante; enquanto ele não chega, para desmoralizar o poder burguês. Essa nova esquerda do miolo mole é um tanto diferente: ela luta para que os “valores!” gerados na pobreza sejam uma alternativa à cultura dominante. Vejam o caso dos bailes funk. Cada barraco do Rio sabe que eles são o meio mais eficaz de aliciamento dos jovens para o narcotráfico, que os promove. Tim Lopes morreu investigando o caso. Não obstante, os “intelectuais” dessa “cultura” estão na TV, exercitando a sua glossolalia. Outro dia, um Schopenhauer do pedaço disse na Universidade de Brasília — vi na TV Câmara — que a sua turma de “artistas” não condena o traficante, mas o tráfico. Entendi.


O que me parece mais incrível é que boa parte dessas ONGs realmente vivem de manter a miséria em padrões ditos tolerantes. Alguém conhece algum caso em que um trabalho de ONG numa favela carioca tenha dado resultados que não tivessem sido mais tráfico de drogas, mais violência e mais miséria? Simples: nenhuma delas trabalha com metas que incluam o Estado. Nada do Estado reocupando o espaço público. A comunidade deve se auto-gerir (lógico, sob o jugo das armas dos traficantes), deve-se negociar com traficantes para se ter acesso ao local… Abre-se mão de tudo, para se obter nada como retorno, só um coraçãozinho mais tranquilo e um pouco de grana na ONG.

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Proposta de Sociologia do Cigarro – II

Fumante modernoVolto ao tema da sociologia do cigarro, minha tentativa barata de teorizar. É notável observar que o perfil típico do fumante “bacana” atual se encaixa no perfil “alternativo/moderno” dos jovens. Sim, é verdade que os adolescentes e pobres perfazem boa parte do público fumante, em especial das marcas mais populares, mas são os “modernos” que dão a atual cara de glamour e “descolamento” ao produto, na falta dos galãs de Hollywood.

Mas mais engraçado que isso é que se trata de um público geralmente anti-corporações, anti-marcas, anti-capitalista, “sou de esquerda” etc, sendo que o cigarro é um dos produtos mais prejudiciais a populações locais (o tabaco destrói o solo), e faz parte de um setor dominado por grandes conglomerados multi-nacionais ligados às práticas comerciais mais desleais e anti-éticas.  São contribuintes fervorosos dos Republicanos, ou seja, fumou um cigarro, está dando dinheiro para George Bush. Não é irônico?

Gostosas também fumam, pois!

Ou ser moderno é ser incoerente e incongruente, ou a posição política deste povo é apenas uma maneira de se conseguir sexo mais fácil, já que a esquerda parece ser mais liberal do que a direita neste tipo de assunto. Nada mais status quo, mais reacionário, portanto, do que fumar.

Isso sem falar no culto à maconha, outra praga que “moderno” ignora (ou melhor, finge ignorar) seus efeitos sociais e econômicos. Tema de um próximo texto.

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Para começar 2007, um pouco de história…

De um futuro artigo na revista Enterprise & Society. Muito interessante, mostrando que a tal elite brasileira sempre foi mais ampla do que os clichés costumam indicar e sensivelmente menos concentrada do que no México.


Bankers, Industrialists, and Their Cliques: Elite Networks in Mexico and Brazil during Early Industrialization


Authors: Aldo Musacchio and Ian Read
Abstract

The historiographies of Mexico and Brazil have implicitly stated that business networks were crucial for the initial industrialization of these two countries. Recently, differing visions on the importance of business networks have arisen. In the case of Mexico, the literature argues that entrepreneurs relied heavily on an informal institutional structure to obtain necessary resources and information. In contrast, the recent historiography of Brazil suggests that after 1890 the network of corporate relations became less important for entrepreneurs trying to obtain capital and concessions, once the institutions promoted financial markets and easy entry for new businesses. Did entrepreneurs in Brazil and Mexico organize their networks differently to deal with the different institutional settings? How can we compare the impact of the institutional structure of Mexico and Brazil on the networks of entrepreneurs and entrepreneurial finance in general? We explore these questions by looking at the networks of interlocking boards of directors of major joint stock companies in Brazil and Mexico in 1909. We test whether in Mexico businessmen relied more on networks and other informal arrangements to do business than in Brazil. In Brazil, we expect to find less reliance of businesses on networks given that there was a more sophisticated system of formal institutions to mediate transactions and obtain capital and information. Our hypothesis is confirmed by three related results: 1) the total number of connections (i.e., the density of the network) was higher in Mexico than Brazil; 2) In Mexico there was one dense core network, while in Brazil we find fairly dispersed clusters of corporate board interlocks; and most importantly, 3) politicians played a more important role in the Mexican network of corporate directors than their counterparts in Brazil. Interestingly, even though Brazil and Mexico relied on very different institutional structures, both countries grew at similar rates of growth between 1890 and 1913. However, the dense and exclusive Mexican network might have ended up increasing the social and political tensions that led to the Mexican Revolution (1910-1920).

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Como uma bobagem estatística pode transformar o Brasil em Índia

Freqüentemente acontece de me deparar com idéias reducionistas que colocam o brasileiro classe média no mesmo Panteão dos milionários e ricos, simplesmente por conta do maldito Critério Brasil de análise de mídia.

Para quem não conhece, o Critério Brasil estima o poder de compra dos brasileiros a partir dos dados do LSE (Levantamento Sócio Econômico) do IBOPE Mídia. No frigir dos ovos, é dele que surgem as famosas divisões de Classe Social utilizadas nos ambientes de marketing e de agências de publicidade (classe A, B, C, D e E). Neste tosco critério, faz parte dos milionários brasileiros (Classe A1) aqueles cuja renda familiar é de R$7.793,00 em média (ou espetaculares US$3.500 por família, em dez/06). Ou seja, se o pai e a mãe ganharem R$3000 reais cada, mais um filho estagiando, seriam co-irmãos do Joseph Safra e da família Ermírio de Morais.

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Porque o brasileiro é tão musical mas não entende de música?

O título provocativo tem sua razão de ser. Comentava com colegas sobre o fato do brasileiro, em geral, gostar tanto de reggae mas não conseguir sair do cliché Bob Marley – Peter Tosh – AlgumaCoisaRoots de conhecimento reggaeiro.

Pergunte aos fãs de reggae se eles conhecem os Upsetters ou Lee “Scratch” Perry. Ou se eles saber o que é rocksteady ou a diferença do dub para o reggae. Ou até mesmo questionar porque não tem contrabaixo no reggae brasileiro. Provavelmente, receberá uma cara de “o que ele tá falando???” de presente. Claro, pode ser o grau de cannabis na cabeça do sujeito, mas digamos que não seja. E por que isso nos interessa neste blog? Ora, o reggae é só um exemplo: a superficialidade do conhecimento dos conhecedores no Brasil é que é o fator crucial deste artigo…

Não há aparentemente nenhuma razão que impeça os fãs de reggae de buscarem conhecer mais o ritmo que admiram. Mas eles se parecem satisfeitos com a repetição ad nauseum dos mesmos sucessos de sempre. O mesmo acontece no rock, no jazz, no blues e em tudo relacionado à cultura no Brasil. Claro, há sempre uma ceninha de novidades aqui e acolá, mas em geral, tais novidades são apenas mímicas de cenas estrangeiras já perfeitamente diluídas ou então regurgitação dos grandes bastiões da MPB, aquela com M maiúsculo, de ME ESQUEÇAM UM POUCO!

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As lógicas da arte musical

Um grande colega meu de academia, Charles Kirschbaum, está fazendo uma pesquisa sobre o universo do hip hop em São Paulo. Inspirado neste assunto, sempre acabo revisitando um livro fundamental para se entender as lógicas da arte musical. Ou seja, porque não podemos comparar a folk music, a música popular e a música erudita entre si.

O sociólogo Simon Frith apresenta sua tese no fabuloso Performing Rites (sem tradução no Brasil). Para ele, diferentemente do que prega Adorno, a música popular tem tanto valor quanto a música erudita/experimental, pois elas possuem lógicas distintas e não-comparáveis. Frith alega que a música popular facilita diálogos, abordando a música do ponto de vista sociológico-prático do tema.

Vou fazer um resumo muito tosco agora. Peço perdão a ele. Simon diz que a lógica da folk music (e que, de certa forma, é a mesma de qualquer música de raiz, seja o samba, o hip hop ou o blues) está na pureza, na pregação social da proteção. A música erudita tem uma lógica técnica, de depuração, ancorada num discurso social de música feita com o cérebro. Já a música popular não tem nem o compromisso com a técnica, nem com a pureza, mas mais com discursos sociais. É por isso que, se um amigo seu vier com o papo de que o jazz e a MPB são estilos de música superiores ao rock, você esfrega na cara dele que a lógica dele é diferente da sua.

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Afinal, ricos têm rancor dos pobres ou dos outros ricos?

Interessantíssimo artigo do Marginal Revolution trata sobre rancor social. Afinal, seriam os ricos rancorosos com os pobres, como sustentava o carquético Cazuza e boa parte da “esquerda Chivas”? Brad deLong acredita que:

[ricos] gostam da inveja dos pobres.

... e que, por isso, deveriam se cobrar impostos maiores sobre o consumo direcionado para provocar este tipo de inveja social (para quem conhece Veblen, o chamado consumo conspícuo).

Estou aqui me alinhando ao que diz Tyler Cowen. Para ele, mesmo que este interesse por status exista, para um rico, é muito mais excitante ser invejado por outro rico. Ricos que gostam de se sentir invejados pelos pobres são vistos como perdedores pelos demais ricos. Ao mesmo tempo, pobres nutririam mais inveja do coreano que se deu bem na vendinha da esquina do que com a Paris Hilton. O coreano, portanto, teria um consumo conspícuo igualmente alto para o pobre, e de certa forma, muito mais aparente e provocativo para sua classe.

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Proposta de sociologia do cigarro – I

Vou ser abusado e escrever teoria barata aqui um pouco.

Quando estive nos EUA e França, em duas oportunidades distintas, uma das situações que mais me chamavam a atenção era a postura dos fumantes em situações de convívio social. Em miúdos: o que há de comportamento sociológico no simples ato de se fumar em público?

FrançaA primeira coisa que me despertou curiosidade era o fato que a ampla maioria dos fumantes mantinham seus cigarros próximos à boca, ou muito colado ao rosto. Parecia haver um interesse em que o cigarro estivesse circunscrito ao espaço individual, de forma a não perturbar a pessoa ao lado – que poderia não ser fumante. Outra sensação era a de que o ato de fumar era um momento de prazer puramente pessoal, uma ação que independia relativamente dos outros. Mesmo a fumaça era solta devagarzinho, em cima de si próprio, sem aquela coisa de assoprar jatos à distância.

Já no Brasil, o que mais se vê é o fumante abrindo os braços largos e literalmente jogando o cigarro na cara da pessoa que estiver atrás ou do lado, especialmente se esta não for conhecida. Ao soltar a fumaça, a fumante ou joga tudo para trás, ou para cima, ou para o lado. Ou seja, o fumar no Brasil parece ser um ato muito menos de prazer pessoal, e mais de afeto social e que reforça o caráter egoísta do brasileiro médio. Read the rest of this entry »

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Feynman e a ciência no Brasil

Caso interessantíssimo. O conhecido físico e Prêmio Nobel, Richard Feynman passou um ano sabático lecionando no Rio de Janeiro e cunhou a semi-famosa frase “No Brasil, não se ensina ciência”. Apesar de falarmos de 1953, no fundo, pouca coisa se alterou. Vale a pena ler a história completa, no blog Strangeman’s Paradise.

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Porque os EUA estão também perdendo terreno no mundo. E o Brasil…

Dados indicam que pelo menos 58% dos norte-americanos não lêem nenhum livro após deixarem o high school. E que 80% das famílias não compraram nem leram qualquer livro no ano anterior.

Em tempo: os dados no Brasil são ainda piores – o índice de leitura é de ridículos 1,5 livro per capita – sendo que somente 17 milhões de brasileiros são compradores e 26 milhões são leitores. Ou seja, 14% da população lê cerca de 10 livros/ano, o resto depende da Globo para se sentir gente. Dados da Pesquisa Retrato da Leitura, feita em 2001 pela CBL.

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A seleção pode ser vista pela sociologia política?

Eu acho que sim. Desde o começo da Copa, assisti como todos o espetáculo deprimente de ufanismo, egocentrismo e divinismo de boa parte da sociedade com o destino traçado desde o início: O Brasil será hexa, se um mega complô mundial, liderado pela Nike e pela Adidas, que adoram patrocinar fracassados (?), não impedir-nos.

Eis que na verdade, tínhamos a receita do fracasso: um bando de estrelas agindo por conta própria, um gestor medroso e medíocre, cujas glórias passadas se deram a despeito e não por causa dele, e uma crença na divindade específica do Brasil, em que um lance genial resolvesse todos nossos problemas.

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Arcaísmo como projeto de nação

Sempre me intrigou como nunca se conseguiu formar no Brasil um capitalismo moderno, que tivesse desenvolvido grandes grupos empresariais cujo controle hoje estivesse pulverizado em mercados acionários fortes, ou mesmo em grupos familiares fortes. Na verdade, o que mais se percebe são estruturas em que empresas crescem muito, vão à bancarrota, ao mesmo tempo que seus donos simplesmente ficam milionários e vão viver de rendas. De preferência numa fazendinha cheia de boizinhos para engorda.

Um livro interessantíssimo, e que questiona uma série de dogmas da historiologia brasileira, parece dar indicações sobre este fenômeno. O Arcaísmo Como Projeto, dos professores da UFRJ João Fragoso e Manolo Florentino, apresenta uma série de estudos sobre o final do período colonial que põem em cheque alguns dos mais conhecidos dogmas da história nacional. Por exemplo, a bazófia da inexistência de uma economia local forte por culpa portuguesa, ou mesmo a impossibilidade do pobre ascender numa sociedade tão desigual. Mas não é disso que trato aqui. Mas de um dado mais pertinente para este tópico, que é a concentração da riqueza não no produtor, mas no intermediário. Segundo o livro, 20 famílias locais praticamente controlavam do transporte à logística de distribuição de produtos e escravos, além do crédito na colônia, sendo que seus tentáculos chegavam inclusive à metrópole portuguesa e África.

O Arcaísmo Como ProjetoNão deixa de ser curioso notar que, segundo os historiadores, estas famílias não duravam mais que duas gerações – já que aparentemente, neste momento, elas se livravam das empresas, compravam um bocado de terra no interior e iam viver de rendas. Ou seja, nunca se transformava em capital produtivo, mas servia para legitimar uma certa aristocracia local, que reproduzia a aristocracia portuguesa.

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