Archive for category Publishing

Anthologies: DC Comics’s new strategy to save monthly books?

Nobody seems to have noticed it yet (or it is not such a big deal) but DC Comics’ most recent announced books have been quite on the other hand of the market. While it seems trade paperbacks are gaining speed, while monthlies are lagging behind, DC is surely trying to do something different in order to save this (IMHO) dying media. And this is through anthology books.

DC is certainly not doing anything different than ever: they’ve got a history on anthology books hearkening back to the Golden Age. But while Marvel seem to have forgotten these books somewhere in the 60s or 70s (correct me if I am wrong), DC has long tried many times to see if the market supported new anthology books (Showcase in the 1990s, Action Comics Weekly in the 1980s). Most recently, it has released limited series like Reign In Hell and Trinity, always featuring back-up stories in complement to its main feature.

However, with the introduction of Adventure Comics in June and the yet-unannounced but very much on the pipeline Wednesday Comics, the stakes are much higher. In the first case, what we seem to have is an anthology where the stories are going to be very much intertwined. Usually, anthology books are a bit away from chronology and serve as a platform for tryouts and experimentations. Apparently not this time: there will be a number of properties (among them Superboy, Legion of Super-Heroes and a number of other Superman Family characters) in stories that will be interconnected and tight to the current affairs in the other Superman books.

Wednesday Comics, as hinted by Kyle Baker in a recent interview, and picking up from hints also given by DC Editor-In-Chief Dan Didio and Neil Gaiman, is coming up after Trinity as the new weekly DC book. It looks much more like an anthology of really top creative authors handling DC characters in short stories. Not yet announced – but pretty much on the pipeline – is a Kyle Baker Hawkman story and a Neil Gaiman/Mike Allred 10-page take on Metamorpho. This seems to be in line with the strategy of bringing top creators to DC properties without having to go through the hassles of the All Star line. Meaning: late delivery.

This also seems to be the case of Doom Patrol/Metal Men: by having Metal Men as backup (probably 10 or 8 pages per issue), DC can retain a top talent as Kevin Maguire doing a monthly book.

All this hints at a very different strategy for keeping talent on major books at DC. Whereas Marvel prefers to have 2 artists as “series regulars” or even work with rotating artists (such as Amazing Spider Man’s team), DC will try to make double features or anthology books with real top talent as a way to lure readers back to their books on a weekly/monthly basis and finally accept that top artists can’t seem to be able to work on 22 pages a month – and readers do not like fill-ins all the time. Let’s see if that will work out for the company, because schedule seems to be the Achilles’ Heel of DC during Didio’s tenure.

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20 Anos de Sandman

A DC comissionou um poster comemorativo de 20 anos do lançamento de Sandman, de Gaiman e Dringenberg. Falar da importância de Sandman para o reconhecimento dos quadrinhos como literatura é chover no molhado. O mais interessante é notar a importância dele em trazer leitoras para um mundo predominantemente masculino. Conheço vários casos de leitoras de Sandman e que jamais leram (ou até leriam) algum outro quadrinho tradicional.

Originalmente publicado no blog da New York Magazine. Clique na imagem para ler a matéria e para um quem-é-quem no poster abaixo. Claro que a Delírio é da Jill Thompson.

O Sonhar de Neil Gaiman

UPDATE: Uma versão com melhor resolução está aqui. E o pôster estará à venda em breve nas comic shops.

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JLA Earth-2 (Grant Morrison/Frank Quitely) DC

Quitely rendition of Crime Syndicate of Amerika

Grant Morrison é um homem esperto. Pega um conceito já existente, destila em geral em torno de uma simples premissa e explode para todos os lados, muitas vezes deixando mais lacunas do que respostas. Em suma, tudo que faz um bom roteirista ser um bom contador de histórias.

O Sindicato do Crime (vilões da história em questão) é um conceito antigo, da época pré-Crise nas Infinitas Terras, onde versões vilanescas dos heróis da Liga da Justiça existiriam numa das milhares de terras paralelas. Este mesmo mundo, por sinal, teria tido a Alemanha como vencedora da 2a Guerra. Então, Ultraman, Superwoman e Owlman seriam versões maldosas do Superman, Wonder Woman e Batman, respectivamente.

Morrison altera um pouco a premissa para a existência de um mundo “espelho” (Earth 2), onde o mal sempre triunfaria. Neste mundo, todas as tentativas de fazer o bem e derrotar o mal estariam fadados ao fracasso.

Esta simples premissa é a base para a aventura que começa à la Lost (esta HQ é de 2000, antes portanto): um avião aparece do nada, com todos os passageiros mortos. O estranho: o coração delas fica à direita no peito. Obviamente em seguida, Luthor da Terra 2 surge como um paladino da Justiça.

Até aí, tudo banal: mais uma daquelas histórias de “Rutinha e Raquel” e versões malvadas dos bonzinhos, certo? Errado. A sacada está na premissa: o que aconteceria num mundo onde o mal sempre vence, inexoravelmente? E, de certa forma, é mais uma brincadeira do autor com o meio HQ (como seu trabalho seminal em Homem-Animal e Seven Soldiers of Victory). Uma própria alegoria com o fato de, num mundo de heróis, os vilões sempre se dão mal no final. E se esta lógica fosse pervertida? Morrison parte inclusive do pensamento de que o mal não nasce do bem, mas sim do próprio mal.

Pra quem está ligado no atual mundo da DC, é a mesma premissa que Grant está utilizando em Final Crisis. Aliás, esta volta a conceitos e trabalhos anteriores é uma das características de Morrison, que claramente cita Seven Soldiers of Victory e Earth 2 no primeiro episódio da minisérie.

Não sei se Earth 2 chegou a ser lançada no Brasil na época (acho que não), então aos que quiserem, comprem via Amazon (não, não sou afiliado).

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O que afinal a literatura dos anos 90 transgride?

 

Ninguém pediu, mas vai aqui um texto escrito em outubro de 2003, onde dou minha opinião sobre o livro Geração 90: Transgressores. Este texto foi preparado como um ensaio para o projeto O Errático, o filho bastardo do Rosebud Pop Media, que um dia ainda pretendo fazer acontecer. Não alterei nada no texto desde então.

 

O que afinal a literatura dos anos 90 transgride?


Leitura de Geração 90: Transgressores reforça impressão de falta do que dizer da atual produção literária nacional

Transgredir= passar além de, violar.

Uma certa polêmica surgiu na mídia quando, em debate com autores no caderno Ilustrada, do jornal Folha de São Paulo de 26/07/2003, o escritor Bernardo Carvalho resumiu sua idéia sobre os autores agrupados no livro Geração 90: Transgressores (Editora Boitempo): tratava-se mais de um projeto que buscava visibilidade para um grupo de escritores do que efetivamente um movimento ou algo significativo. A reação foi imediata: uns diziam que o que importava não era o rótulo e sim o conteúdo e, por não ter lido os trabalhos, não entenderiam a questão. Outros que propaganda é sempre boa, eles têm mais é que aparecer, que a questão literária surgiria por si só, entre outras milhares de opiniões.

Bernardo Carvalho tem razão em dizer que o rótulo de Geração 90, e principalmente Trangressores, tem muito mais a ver com marketing que qualquer outra coisa. O trabalho, organizado pelo também escritor Nelson de Oliveira, é mais um retrato de brodagem literária a serviço da difusão do que uma compilação de peso que tenha algo mais substancioso a dizer. O que não é ruim per se; sendo eu um homem de marketing, acredito na necessidade de se utilizar de um recurso interessante para chamar a atenção de um público que, de outra maneira, não seria exposto a trabalhos de autores desconhecidas. Read the rest of this entry »

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Marcelo Mirisola: uma aposta que acertei

Lá nos idos da década de 90, uma “nova” geração de auto-denominados escritores da “Geração 90” publicou, sob auspícios do organizador Nelson de Oliveira o livro Geração 90 – Os Transgressores. A pretensão no nome foi um verdadeiro achado mercadológico. Porque não só os autores eram pretensamente transgressores (caso você ache palavrão e concretismo transgressão, aí não), mas alguns deles eram figurinhas carimbadas de qualquer movimento pseudo-underground (tipo Fausto Fawcett). O livro publicado em 2003 pegou a primeira geração de escritores blogueiros (gente tipo Clarah Averbuck e Marcelino Freire) e cometeu a pretensão de dizer que se tratava de um livro na tradição de Joyce, de Breton e de Oswald!

Já na resenha do mesmo, que seria publicada no extinto Rosebud Pop Media, mas não foi, destacava que o livro era uma bomba: sub-Bukowskis se revezavam em textos porcamente escritos, com citações pop absolutamente gratuitas, que serviam para ocultar a incapacidade de contar um simples conto. Era, como quase tudo na cultura nacional que surgiu a partir do final da década de 80, o triunfo do superficial, do “jeitinho” de se fazer cultura (sempre politicamente correta, sempre na base da brodagem, sempre “esquerdinha Chivas” dependente da grana pública). Apenas um autor se salvava, porque o pop nele era tempero e erudição, mas não era o que segurava o texto. Mal comparando, era um layer a mais: o lado pop dava um ingrediente a mais, especialmente para os leitores da geração dele (meu caso), para um conto que, na verdade, falava sobre um personagem interessante (que poderia ser ele mesmo?) e suas angústias. Ele era Marcelo Mirisola. Read the rest of this entry »

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